terça-feira, 27 de junho de 2006

O que foi meu réveillon em Copacabana

Fogos de artifício, lenços de papel, vestido-bata bege e o metrô da madrugada: relato de uma em dois milhões.

O réveillon em si já é um mito. Quando se aproximam do último dia do ano, as pessoas começam a busca eufórica pelas melhores roupas brancas, pelas bebidas mais baratas, pela festa mais animada e por um par para o primeiro beijo do ano que nasce. Pelo menos a maioria delas. Pois aqui peço licença para fazer um singelo relato do meu réveillon em "Copacabana beach" - sim, o mito-mor dos brasileiros - que, com o perdão do trocadilho, estava mais para "Copacabana bitch" e não teve nada de roupa branca, bebida, animação e muito menos um primeiro beijo. Pelo menos para mim.

Pois bem, a vantagem de ter um pai que trabalha em banco é a de conhecer vários lugares do país nessas datas festivas, quando tem feriado e a gente visita a família. Todo mundo sabe como funciona o sistema de transferências dessas instituições, suponho. Mas, retendo-me ao principal, fato é que este ano - o que chegou e o que passou - a residência de meu progenitor é a cidade maravilhosa, aquela de encantos mil, coração do meu Brasil e blablablá. Fundamentalmente, este foi o motivo de eu ter conhecido os fogos de artifício da Globo de perto.

A dois dias da grande festa, os primeiros sinais da gripe já tinham aparecido. No dia 31, aquela dor de garganta já havia se transformado no ápice da doença: você sabe muito bem, aquele dia em que a gente sente que o corpo passou por uma moenda e vai ao banheiro recarregar os lenços de papel a cada dez minutos; aquele dia que seu irmão mais velho passa rindo da sua voz anasalada porque o "dariz", coitado, fica mais trancado do que o cofre do banco para o qual seu pai trabalha; é, aquele dia que - cruzes! - as pessoas te olham com dó devido a sua cara de choro constante, não por vontade de chorar, mas por vontade de espirrar mesmo.

Óbvio que não ficaria em casa, sozinha, somente por uma gripe. Por volta das dez e meia da noite, eu e minha família rumamos para a estação de metrô da Glória. Apesar de já haver um número incomum de passageiros àquele horário, embarcamos sem dificuldade. "Próxima estação, Cardeal Arcoverde. Desembarque somente pelo lado direito". Chegamos.
Já havia notado o enorme contingente de pessoas espalhadas pelo Rio inteiro, já tinha lido que dois milhões de pessoas era o número esperado para esse ano, mas para minha cabeça de menina do interior a muvuca seria mais ou menos como no show que eu tinha ido no Pacaembu uma vez. Era muita gente naquela ocasião, deveras. Mas não eram dois milhões. Imagine você oito Baurus em uma extensão de 4,5km de calçadão. Loucura.

E para chegar até a praia... Fechava o sinal e aquelas centenas de pessoas atravessando a rua lembravam um cardume de peixes brancos, com movimentos sincronizados. Até nisso eu destoei - estava com um vestido-bata bege, branco mesmo só meus lencinhos de papel a tiracolo. Freqüentemente ouvia-se o barulho das festinhas particulares nos prédios perto da orla. Uma delas era incrivelmente intrigante: o som que se ouvia da rua era de dezenas de homens cantando algo que parecia ser em uma língua africana e batendo em tambores. Mas as cabecinhas que se podiam avistar de longe eram loiras, juro.

Enfim conseguimos um lugar na praia perto do Copacabana Palace, um lugar aprazível até. Atrás da gente estava uma família com cadeirinhas. Não tivesse a vovó feito xixi atrás do meu irmão eu diria que melhor seria impossível. Só não dava era para fugir do som do Jorge Aragão, mas isso durou pouco. O estalido de rojões vagabundos dava a entender que já era meia-noite no relógio de alguns.

O primeiro som de 2006 foi o dos canhões dos fogos de artifício das balsas. Esta que vos escreve é suspeita para dizê-lo, já que adora ver queima de fogos, mas eles estavam simplesmente divinos. Ouvi dizer que esse ano o César e a Rosinha os trouxeram da China. Imagino como seria se eu visse a cerimônia de abertura dos jogos olímpicos... Certamente eu ficaria com a mesma cara de criança sorridente e boquiaberta deste réveillon. Eu e todos que estavam naquela praia, assistindo àqueles 19 minutos de cores, formas e luzes que pareciam vir em nossa direção. O melhor de tudo foi que dessa vez a trilha sonora eram aplausos, e não aquele cara chato da Globo que provavelmente falou que esse vai ser o ano do hexa, e blá blá blá.

Começava a festa para alguns, terminava para outros (leia-se "mim"). Foi tudo muito lindo, mas eu já não sabia por que ficar no meio de toda aquela gente cheirando a champagne e pegando na minha mão, éca. E também meus pais estavam desesperados para me tirar de lá, eles deviam estar realmente penalizados com aquela cara de choro que eu falei. Ainda bem. E foi a partir daí que comecei a me sentir o José Mayer em "O pagador de promessas". Eu explico.

É que pouco depois da queima de fogos começou a chover, e claro que todo mundo resolveu ir embora. A situação era tal que devia levar uns 15 minutos para andar 50 metros. E a chuva caindo. Perto do Copacabana Palace ouvi uma gritaria, logo achei que tinha morrido alguém. Mas não, eram só duas bêbadas se beijando luxuosamente na sacada do hotel. "Lébisca! Lébisca!". Vai entender esses homens, não? Ok, o importante é que depois de muitos empurrões, filas, pisões, poças d'água e, claro, espirros, às duas da manhã já me encontrava na plataforma de embarque.

Foi aí que percebi como a gente reclama dos ônibus na Unesp de boca cheia. O vagão veio vazio, e eu achava que isso era bom. Eu e todas as pessoas ao meu redor, que praticamente se engalfinharam para conseguir viajar sentado. Isso mesmo, se engalfinharam, empurraram, bateram, cotovelaram, derrubaram e todo o tipo de baixaria. E eu lá na frente, quase caindo sozinha só pelo cansaço do corpo, fui salva pelas mãos firmes de minha mãe na cintura. Acho que nunca estive tão perto da morte. Obrigada, mamãe.

Finalmente, 2006. Começar o ano doente pode parecer mau presságio para alguns, mas eu prefiro pensar no colorido do céu e nas sete ondas que pude pular. Pensar que eu sobrevivi ao metrô do réveillon e que bege simboliza riqueza. E torcendo para que eu não precise de tanto otimismo assim no resto do ano, e se precisar, que ele nunca falte a mim e aos que estão ao meu redor. Um 2006 otimista para todos vocês!

segunda-feira, 26 de junho de 2006

i´m blue ra bi di ra bi dai

Esses dias tava relendo meu Caderno - pra quem ainda não sabe, meu "diário" que eu escrevo de quando em quando, mas beeeeeeem de quando em quando mesmo. Tava relendo por motivos que não cabe eu falar aqui, mas anyway...

Deu saudades do tempo que eu era bobinhazinha e escrevia minhas angústias amorosas, existenciais, meus complexos de inferioridade, de superioridade ou coisa que o valha. Tudo o que representava de mais mesquinho lá estava. Aquelas coisas que ninguém sabe mesmo.
Deu saudades de usar essa lixeira emocional power. E eu tô voltando a escrever! iei.

Cara, tinha esquecido como faz bem. Pra quem lê esse blog, recomendo altamente. Quem tem blog e o usa como diário, isso é legal também. Aliás é o que eu faço. Mas quando você escreve só pra você mesmo... que se foda a gramática, a ortografia, o bom senso, que se foda o falso moralismo. Seu caderno se torna tipo uma Pasárgada sabe? Lá você pode tudo. Sensação de liberdade sem igual. Lembre-se de queimá-lo depois. Ainda não queimei os meus, mas vou fazer isso antes de morrer com toda a certeza do mundo. And they´re secret, I bet ya.

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A gente é capaz de cada coisa por dinheiro, né?

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Então, eeeeeee. O semestre mais coxa da minha vida está acabando, e mesmo sendo coxa já to de saco cheio. Mas dessa vez não é saco cheio "de conteúdo", e sim de professores nojentos, babacas, energúmenos, vagabundos e a gente ser obrigado a nos submeter a eles. Um vá se fuder bem alto no ouvido de alguns babacas. Que saco, viu.

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Agora fica a reflexão do mês (sério):
LIFE´S UNPREDICTABLE.

Mas a vida é mesmo, totalmente imprevisível. A gente descobre que algumas verdades absolutas vão por água abaixo... e acreditem, isso é mais assustador do que qualquer filme de terror que me faz dar gritinhos no cinema. But I sure damn love it.