quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Eu sou atéia.

E aí?

Pois é. É muito chato ver que até hoje, na maioria dos ambientes, as pessoas se chocam quando eu falo isso. Foi hoje:

- ...eu sou atéia.
- você não acredita em deus?!
- não.
- nem em santo?
- não.
- e por que você acha que colocaram a gente aqui?
- não colocaram! a gente se fez.
- ai, não sei como você consegue viver sem um sentido na vida... eu sem deus acho que viraria pó.

(eu não respondo mais e a discussão acaba)

Porque se eu continuasse, o clima ia ficar pior do que já estava. E na maioria dos casos, fica mesmo, não adianta a pessoa dizer que respeita as crenças alheias. Aqui no Brasil é mais difícil as pessoas conceberem isso, porque é um país cujos ateus são muito poucos.

Às vezes não, mas, quase sempre, o que acontece quando eu falo isso é a pessoa me fazer uma cara de dó e falar pelas costas que sente pena. Ou achar que eu sou uma pessoa má que deseja o mal de todos. Ou que eu falo que sou atéia só pra "causar". Ou que eu virei atéia de um dia pro outro num momento de revolta e até hoje não amadureci.

Não, eu não virei atéia de um dia pro outro. Meus pais são um casal feliz, assim como eu sou. Eu não tenho baixa auto-estima, eu não como criancinhas (refiro-me a comunistas, e não a padres pedófilos!), geralmente eu quero bem pras pessoas - tanto quanto qualquer pessoa que crê - e eu não sou revoltada com a vida. Tá, pode ser que com alguns posts desse blog possa parecer que eu seja, mas acredite, minha vida é legal. Às vezes, se eu me revolto, é porque eu não quero que ela mude :P

Se não acredito em deus, é porque eu nunca tive essa tendência, nunca consegui ter fé. Quando era pequena, sempre respondia que acreditava porque me "ensinaram" que deus existia. E depois de um tempo e de algumas leituras, comecei a pensar, pensar - lembro que realmente fiquei bastante tempo pensando - até assumir pra mim mesma que não, deus não existe pra mim. Hoje, essa é uma verdade que eu tenho muito concreta na minha vida, da mesma forma que o contrário se aplica à maioria dos amigos meus, por isso evito ficar discutindo esse assunto que acaba não levando a nada.

Só queria que um monte de religiosos virasse ateu, pras pessoas se acostumarem e não ficar um climão, de novo, da próxima vez que eu falar a frase do título pra alguém. :P

*

Já viu os links? Quando puder, entra no blog do Lelê. Heterônimo criança, hehe
Uma gracinha!

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

ignore this

Desculpa, tô meio chata mesmo. Pelo menos não to meia chata. Afinal, já que é pra ser chata, que seja por inteiro, né?

E a odisséia de viver continua... sempre descobrindo coisas. Aprendendo. Por exemplo, a saber calar a boca.



Mas tudo bem, deixando de ser enigmática um pouco.

O que eu queria realmente, mas do fundo da minha alma, é que tudo fosse assim.

Rosinha bebê...

Pelo menos o meu msn eu posso escolher a cor. EEEEEE

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Ainda bem que existe música boa no mundo... ainda bem que existe fotografia, escrita, cinema, álcool, amigos.

É bom pra gente se distrair legal.

E como eu adoro meus amigos.
Adoro. Adoro adoro adoro. E um pouquinho mais.

E não liga não que eu to realmente esquisita, eu sei. You can´t imagine how bad it is.

AH! Tchau vai


terça-feira, 15 de agosto de 2006

o post mais rápido do mundo

Eu só acho que também foi anti-ético da parte deles falar mal sem o outro poder se defender.
Parecia um bando de tia Cotinha falando mal da vizinha mais rica.

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Minha parte leonina. Egocêntrica. Meet me

- Me irrita gente preconceituosa
- Gente que não tem visão de mundo
- Gente que não assume que tá errado, que faz algo errado, que veio de um lugar errado e finge que os errados são os de fora
- Gente que nega o óbvio
- Gente que se deixa levar pelas aparências
- Gente que acha que a beleza garante o futuro de alguém
- Gente que, como qualquer ser humano do mundo, tem seus defeitos mas não tenta mudá-los
- Gente que aplaude esses defeitos
- Gente que se ilude demais
- Meu... é o óbvio!
- Gente que supervaloriza...
- Gente "fachada"

I'm pissed off, yes I am.

As pessoas têm que cair na realidade... quando? Por que quanto mais eu cresço menos eu vejo isso nas pessoas?
E o pior... eu faço parte de alguns "gente", né? :/

sexta-feira, 14 de julho de 2006

PCC, só?

Momento de revolta.

As pessoas poderiam começar a enxergar o óbvio, não é mesmo? Porque pra mim essa é a única explicação pra isso tudo. Ou a que eu prefiro acreditar.

Tô muito decepcionada com a sociedade. Odeio essa frase clichê, mas isso descreve muito o que tô sentindo agora.

1. Que coisa ridícula essa revolta com a seleção brasileira. Meu, foda-se a porra de copa, mas que saco. "É só futebol", como disse o comovido Galvão Bueno. Mas meu, ali é esporte, ou você ganha, ou você perde... Por que eu não vejo a sociedade se mobilizar desse jeito pra xingar os congressistas? Por que eu não vejo matérias cheias de ufanismo na televisão como vi tempos atrás? Por que não vejo o povo chamando os políticos de oportunistas com a mesma ênfase que chamaram o Gordo de gordo? Por que eu não vejo um país paralisar pela nação, não por patriotismo barato? Por que não vamos todos, com nossos tomates na mão, com nossos dedos do meio e, principalmente, com o voto consciente combater os piratas do congresso? Que revolta, que revolta!!!

2. E eu ouço gente graduada falando besteiras como "meu, apaga logo o Fernandinho Beira-Mar" ou "é claro que o Alckmin não rouba, ele é rico, não precisa". Como se as coisas fossem tão simples como somar 2+2... se bem que alguns matemáticos dissem que 2+2 são 3, vai saber.

3. Daí beleza. O PCC é mau. Ele é. Tem muita gente que faz sacanagem por opção, sim. Tudo bem que eu aposto que a maioria dos peões mandados que queimaram ônibus não, mas isso não vem ao caso. O que me deixa PUTA é ver a sociedade falando que ladrão bom é ladrão morto, mas no minuto seguinte, dançar conforme a música do primeiro comando.

Primeiro aquela porcaria da Emdurb que por causa de um prejuízo que, convenhamos, não seria o caso de levar a empresa a falência, simplesmente parou TODA a frota de ônibus desde a noite de ontem até a manhã de hoje. Ou seja, quem é pobre e trabalha se fodeu. Imagina os milhares de usuários do sistema de transporte público como se fudeu legal.

Foda-se um, dois, até vinte ônibus! A vida não pode parar por causa do PCC. Quando é que a sociedade vai ver alguma instituição, seja pública ou privada, tomar uma postura superior à desses barbarizadores?!

De repente me chega aos ouvidos que não bastasse a Emdurb tirar o dela da reta, os mototaxistas também se aproveitaram da situação, sem um pingo de solidariedade com a "pobretada". Imagina uma corrida que normalmente custa 3 reias subir pra 12!!
Pra mim, é bandido do mesmo jeito.

Abro o jornal e vejo que os políticos, esses que deveriam ser o principal exemplo de superioridade moral, solidariedade, ética, que deveriam transmitir calma e segurança para a população, esses canalhas aproveitam a situação caótica em que o povo vive para fins eleitoreiros. São fofoqueiros, cínicos, que acham que o Zé Povão tem amnésia curta. Talvez tenham realmente. Talvez sejamos todos essa coisa corruptível, oportunista...

Que droga.

Minha vontade era eu mesma queimar um ônibus e deixar um bilhetinho de "PASSE LIVRE".

terça-feira, 27 de junho de 2006

O que foi meu réveillon em Copacabana

Fogos de artifício, lenços de papel, vestido-bata bege e o metrô da madrugada: relato de uma em dois milhões.

O réveillon em si já é um mito. Quando se aproximam do último dia do ano, as pessoas começam a busca eufórica pelas melhores roupas brancas, pelas bebidas mais baratas, pela festa mais animada e por um par para o primeiro beijo do ano que nasce. Pelo menos a maioria delas. Pois aqui peço licença para fazer um singelo relato do meu réveillon em "Copacabana beach" - sim, o mito-mor dos brasileiros - que, com o perdão do trocadilho, estava mais para "Copacabana bitch" e não teve nada de roupa branca, bebida, animação e muito menos um primeiro beijo. Pelo menos para mim.

Pois bem, a vantagem de ter um pai que trabalha em banco é a de conhecer vários lugares do país nessas datas festivas, quando tem feriado e a gente visita a família. Todo mundo sabe como funciona o sistema de transferências dessas instituições, suponho. Mas, retendo-me ao principal, fato é que este ano - o que chegou e o que passou - a residência de meu progenitor é a cidade maravilhosa, aquela de encantos mil, coração do meu Brasil e blablablá. Fundamentalmente, este foi o motivo de eu ter conhecido os fogos de artifício da Globo de perto.

A dois dias da grande festa, os primeiros sinais da gripe já tinham aparecido. No dia 31, aquela dor de garganta já havia se transformado no ápice da doença: você sabe muito bem, aquele dia em que a gente sente que o corpo passou por uma moenda e vai ao banheiro recarregar os lenços de papel a cada dez minutos; aquele dia que seu irmão mais velho passa rindo da sua voz anasalada porque o "dariz", coitado, fica mais trancado do que o cofre do banco para o qual seu pai trabalha; é, aquele dia que - cruzes! - as pessoas te olham com dó devido a sua cara de choro constante, não por vontade de chorar, mas por vontade de espirrar mesmo.

Óbvio que não ficaria em casa, sozinha, somente por uma gripe. Por volta das dez e meia da noite, eu e minha família rumamos para a estação de metrô da Glória. Apesar de já haver um número incomum de passageiros àquele horário, embarcamos sem dificuldade. "Próxima estação, Cardeal Arcoverde. Desembarque somente pelo lado direito". Chegamos.
Já havia notado o enorme contingente de pessoas espalhadas pelo Rio inteiro, já tinha lido que dois milhões de pessoas era o número esperado para esse ano, mas para minha cabeça de menina do interior a muvuca seria mais ou menos como no show que eu tinha ido no Pacaembu uma vez. Era muita gente naquela ocasião, deveras. Mas não eram dois milhões. Imagine você oito Baurus em uma extensão de 4,5km de calçadão. Loucura.

E para chegar até a praia... Fechava o sinal e aquelas centenas de pessoas atravessando a rua lembravam um cardume de peixes brancos, com movimentos sincronizados. Até nisso eu destoei - estava com um vestido-bata bege, branco mesmo só meus lencinhos de papel a tiracolo. Freqüentemente ouvia-se o barulho das festinhas particulares nos prédios perto da orla. Uma delas era incrivelmente intrigante: o som que se ouvia da rua era de dezenas de homens cantando algo que parecia ser em uma língua africana e batendo em tambores. Mas as cabecinhas que se podiam avistar de longe eram loiras, juro.

Enfim conseguimos um lugar na praia perto do Copacabana Palace, um lugar aprazível até. Atrás da gente estava uma família com cadeirinhas. Não tivesse a vovó feito xixi atrás do meu irmão eu diria que melhor seria impossível. Só não dava era para fugir do som do Jorge Aragão, mas isso durou pouco. O estalido de rojões vagabundos dava a entender que já era meia-noite no relógio de alguns.

O primeiro som de 2006 foi o dos canhões dos fogos de artifício das balsas. Esta que vos escreve é suspeita para dizê-lo, já que adora ver queima de fogos, mas eles estavam simplesmente divinos. Ouvi dizer que esse ano o César e a Rosinha os trouxeram da China. Imagino como seria se eu visse a cerimônia de abertura dos jogos olímpicos... Certamente eu ficaria com a mesma cara de criança sorridente e boquiaberta deste réveillon. Eu e todos que estavam naquela praia, assistindo àqueles 19 minutos de cores, formas e luzes que pareciam vir em nossa direção. O melhor de tudo foi que dessa vez a trilha sonora eram aplausos, e não aquele cara chato da Globo que provavelmente falou que esse vai ser o ano do hexa, e blá blá blá.

Começava a festa para alguns, terminava para outros (leia-se "mim"). Foi tudo muito lindo, mas eu já não sabia por que ficar no meio de toda aquela gente cheirando a champagne e pegando na minha mão, éca. E também meus pais estavam desesperados para me tirar de lá, eles deviam estar realmente penalizados com aquela cara de choro que eu falei. Ainda bem. E foi a partir daí que comecei a me sentir o José Mayer em "O pagador de promessas". Eu explico.

É que pouco depois da queima de fogos começou a chover, e claro que todo mundo resolveu ir embora. A situação era tal que devia levar uns 15 minutos para andar 50 metros. E a chuva caindo. Perto do Copacabana Palace ouvi uma gritaria, logo achei que tinha morrido alguém. Mas não, eram só duas bêbadas se beijando luxuosamente na sacada do hotel. "Lébisca! Lébisca!". Vai entender esses homens, não? Ok, o importante é que depois de muitos empurrões, filas, pisões, poças d'água e, claro, espirros, às duas da manhã já me encontrava na plataforma de embarque.

Foi aí que percebi como a gente reclama dos ônibus na Unesp de boca cheia. O vagão veio vazio, e eu achava que isso era bom. Eu e todas as pessoas ao meu redor, que praticamente se engalfinharam para conseguir viajar sentado. Isso mesmo, se engalfinharam, empurraram, bateram, cotovelaram, derrubaram e todo o tipo de baixaria. E eu lá na frente, quase caindo sozinha só pelo cansaço do corpo, fui salva pelas mãos firmes de minha mãe na cintura. Acho que nunca estive tão perto da morte. Obrigada, mamãe.

Finalmente, 2006. Começar o ano doente pode parecer mau presságio para alguns, mas eu prefiro pensar no colorido do céu e nas sete ondas que pude pular. Pensar que eu sobrevivi ao metrô do réveillon e que bege simboliza riqueza. E torcendo para que eu não precise de tanto otimismo assim no resto do ano, e se precisar, que ele nunca falte a mim e aos que estão ao meu redor. Um 2006 otimista para todos vocês!

segunda-feira, 26 de junho de 2006

i´m blue ra bi di ra bi dai

Esses dias tava relendo meu Caderno - pra quem ainda não sabe, meu "diário" que eu escrevo de quando em quando, mas beeeeeeem de quando em quando mesmo. Tava relendo por motivos que não cabe eu falar aqui, mas anyway...

Deu saudades do tempo que eu era bobinhazinha e escrevia minhas angústias amorosas, existenciais, meus complexos de inferioridade, de superioridade ou coisa que o valha. Tudo o que representava de mais mesquinho lá estava. Aquelas coisas que ninguém sabe mesmo.
Deu saudades de usar essa lixeira emocional power. E eu tô voltando a escrever! iei.

Cara, tinha esquecido como faz bem. Pra quem lê esse blog, recomendo altamente. Quem tem blog e o usa como diário, isso é legal também. Aliás é o que eu faço. Mas quando você escreve só pra você mesmo... que se foda a gramática, a ortografia, o bom senso, que se foda o falso moralismo. Seu caderno se torna tipo uma Pasárgada sabe? Lá você pode tudo. Sensação de liberdade sem igual. Lembre-se de queimá-lo depois. Ainda não queimei os meus, mas vou fazer isso antes de morrer com toda a certeza do mundo. And they´re secret, I bet ya.

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A gente é capaz de cada coisa por dinheiro, né?

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Então, eeeeeee. O semestre mais coxa da minha vida está acabando, e mesmo sendo coxa já to de saco cheio. Mas dessa vez não é saco cheio "de conteúdo", e sim de professores nojentos, babacas, energúmenos, vagabundos e a gente ser obrigado a nos submeter a eles. Um vá se fuder bem alto no ouvido de alguns babacas. Que saco, viu.

*

Agora fica a reflexão do mês (sério):
LIFE´S UNPREDICTABLE.

Mas a vida é mesmo, totalmente imprevisível. A gente descobre que algumas verdades absolutas vão por água abaixo... e acreditem, isso é mais assustador do que qualquer filme de terror que me faz dar gritinhos no cinema. But I sure damn love it.